Quental, A. (2021)
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Nobody: / O Povo: Ódio, Medo e Indignação

2020
memes
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extremism
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Passam uns dias desde a revelação dos resultados das eleições de 6 de Outubro de 2019. As capas dos jornais apresentam a vitória do Partido Socialista, a vontade de António Costa de renovar a geringonça e a crise nos dois partidos de direita com presença habitual no parlamento.

No meio destas manchetes, típicas do comentário político pós-eleições, surge pela primeira vez uma nova narrativa – “Extrema-direita irrompe pelo Parlamento de Portugal” [1], “Já só há três países sem extrem-direita na UE. Ontem, Portugal deixou de ser um deles” [2]. É uma visão estranha. Primeiro, porque o novo partido contava apenas com seis meses e o seu deputado era uma cara relativamente desconhecida no panorama político, sobretudo para quem não tem especial interesse em futebol ou pelos seus programas de comentadores [3].

Mas, principalmente, tendo em conta que Portugal parecia, não só estar a salvo do crescimento da extrema-direita por toda a Europa, como ser um dos seus últimos gatekeepers.

O sucesso do governo de coligação de esquerda que, apesar das tensões esperadas, se conseguiu afirmar como uma solução viável e forte no período pós-Troika, e o momento de optimismo trazido pela afirmação do país como um dos principais destinos turísticos europeus e pelo crescente investimento estrangeiro, mascararam o discurso extremado que, longe dos nosso olhos, foi crescendo em blogs, grupos privados de Facebook e conversas de WhatsApp. A eleição do primeiro deputado de extrema-direita já se desenhava há bastante tempo, e só quem não circulava nos locais onde o discurso se desenvolvia foi surpreendido.

A União Europeia, fundada sobre os valores da liberdade, igualdade e fraternidade, parecia um projecto “imensamente atraente”, que “alimentou a imaginação de muitas pessoas, [...] a encarnação de uma sociedade aberta – uma associação voluntária de Estados soberanos que estavam dispostos a abrir mão de parte da sua soberania para o bem comum.” [4]

Se a abertura de fronteiras, moeda única e prosperidade financeira apresentavam um projecto bem sucedido, a verdade é que os valores centrais nunca se efectuaram. A ideia de uma Europa igualitária nunca se revelou na redistribuição real de poder económico e político entre países ricos e pobres. À luz da crise económica de 2009, esta divisão entre o Centro próspero encabeçado pela Alemanha, e o Sul em falência, com países como a Grécia, Portugal e Chipre, tornou-se evidente. Os países mais pobres, incapazes de pagar a sua dívida, foram obrigados a aceitar programas de austeridade. O sofrimento das famílias causado pelo delírio neoliberal foi ignorado pelos técnicos e políticos do Centro Europeu, dando lugar a um descontentamento generalizado [5].

Ao mesmo tempo, uma nova crise humanitária surgia. O número crescente de refugiados a procurar abrigo na Europa colocava em grande pressão os países do Mediterrâneo. A União Europeia foi incapaz de gerir o fenómeno. Para além da estranheza causada pela migração em massa e pela cultura que esta trazia, as populações que viam as situações internas frágeis dos seus países, viam a ajuda a refugiados como algo injusto e secundário tendo em conta o seu próprio sofrimento [6].

Este cenário de descontentamento revelava-se como “um terreno fértil para o discurso do ódio, da xenofobia e de todas as formas de extremismo” [7]. Canalizando a raiva e angústia da população, os novos políticos populistas encontraram soluções fáceis para contextos complexos, isto é, culpados e inimigos. Os políticos que estavam no poder foram retratados como uma elite corrupta e os refugiados como invasores. Deste modo, o populismo de extrema direita infiltrou-se em grande parte dos parlamentos europeus. No entanto, em Portugal, a sua presença parecia ser ainda irrelevante, talvez pelo impacto reduzido da crise de refugiados, talvez pelos seus brandos costumes.

Em 2014, Peter Sutherland justificava a inaptidão do populismo proliferar em países como Portugal e Espanha pela capacidade dos seus políticos discutirem as temáticas vilificadas pelo discurso extremista – "ao falarem abertamente sobre migração e discutindo as preocupações legítimas dos seus eleitorados, [políticos] ajudaram a fundamentar o debate público na realidade” [8] –, possibilitando o re-enquadramento da imigração como algo positivo – uma solução para uma população cada vez mais envelhecida e para as lacunas existentes no mercado laboral assim como um activo valioso para a construção de uma sociedade mais aberta e multicultural. Todavia, é evidente que este molde de debate político não foi suficiente na contenção do populismo considerando que Espanha viu a entrada do partido VOX no parlamento, em 2019, e a sua afirmação como terceira força política, ainda no mesmo ano. Mas quais serão as razões para a ineficiência do discurso político moderado nos últimos anos, tendo em conta a sua eficácia inicial?

O debate político, desde o séc. XX, foi sempre mediado por televisões, jornais e jornalistas. Contudo, com a introdução da internet, o espaço informativo sofreu grandes alterações. Em 2018, o PEW Research Center concluiu que houve um aumento exponencial no consumo de material noticioso nos meio digitais – 68% dos adultos americanos consumiam notícias nas redes sociais [9].

A principal mais valia da internet é a erosão do poder através do acesso e produção livre de informação. O poder é transferido do centro para a periferia; o indivíduo deixa de estar sob o poder institucional [11]. Se, numa nota positiva, isto vinha trazer uma perspectiva de sociedade mais democrática e plural sem a imposição epistemológica de uma classe dominante, no seu lado mais negro, põe em causa o próprio sistema democrático.

Pariser enquadra as notícias como as estruturas que dão “forma à nossa percepção do mundo, ao que é importante, à escala e ao carácter dos nosso problemas” [[12]; estas assumem-se fundamentais na criação do conhecimento e experiência comum em que a democracia se alicerça. A erosão do poder pressupõe a erosão das próprias instituições. Ora, o facto de o jornalismo ser altamente oficializado era a garantia da sua efectividade, a consciência de que a criação de notícias era “um acto fundamentalmente político e ético” [13] e que, como tal, deveria ser feito com o máximo cuidado possível. Porém, no feed, um premiado pelo Pulitzer tem a mesma importância de um neo-nazi, uma entrevista a um primeiro ministros fica ao mesmo nível de um meme sobre as suas férias [14].

Ao mesmo tempo que os novos modos de participação no espaço das notícias põem em causa a construção do imaginário colectivo, surge ainda um novo factor. Considerando a quantidade excessiva de informação produzida, os processos de filtragem tornam-se essenciais. Os comportamentos e inclinações são registados e analisados por algoritmos a fim de personalizar a nossa experiência online, num processo iterativo contínuo – a personalização da personalização. A nossa individualidade online é nada mais que uma reverberação do nosso próprio ambiente mediático [15]. Toda a nossa experiência online passa agora a ser compreendida numa filter-bubble.

Pela sua capacidade de criar estes ambientes herméticos, seria de esperar que as bolhas fossem motores de coesão social pela criação de narrativas únicas. No entanto, verifica-se o oposto. A incapacidade de ver o exterior significa a impossibilidade individual de pensar o outro e a consequente polarização de toda a percepção [16]. Se a falência do jornalismo põe em causa a legitimidade do conhecimento e da experiência comum, a filter-bubble destrói a compreensão do que é o próprio espaço comum. A construção da realidade partilhada está agora passível de ser instrumentalizada por qualquer um e é, por isso, vulnerável.

Assim sendo, pensar a prática política sem ter em consideração o novo território digital foi a principal falha dos partidos tradicionais e, consequentemente, o motor para o crescimento de partidos populistas que, desde cedo, perceberam a sua potencialidade. A transição para o consumo de notícias centradas nas redes sociais e a consecutiva criação facilitada de novas realidades abrem espaço para uma nova propaganda, mais persuasiva e invisível, assim como um novo tipo de populismo.

A propaganda sempre foi vista como um mecanismo unilateral de persuasão – o conteúdo político era financiado pelo agente político, criado pelo propagandista e broadcasted para a população. Como vimos, a web pressupõe a descentralização do poder, pelo que já não é possível configurar a propaganda neste molde.

À medida que os utilizadores aumentam a sua capacidade de criar e comunicar os seus próprios conteúdos, as suas experiências e histórias, as narrativas começam a ser criadas pela própria população. Cabe aos propagandistas apenas gerar unidades capazes de se infiltrar nas plataformas e esperar que estas se multipliquem. A exposição a materiais persuasivos exponencia-se assim como a aptidão dos utilizadores para os reproduzir, resultando numa barreira entre propagandistas e consumidores cada vez mais difícil de identificar. A audiência é agora o próprio agente da criação, modificação e amplificação da propaganda.

Considerando este novo processo de propaganda, será importante compreender os mecanismos que iniciam e aceleram a propagação dos novos discursos.

Em primeiro lugar, podemos observar o novo fenómeno da automatização, a utilização de algoritmos e hiper-personalização que permitem a caracterização dos discursos e a identificação dos alvos vulneráveis a conteúdos persuasivos. Simultaneamente, através da utilização de bots é possível mascarar discursos fabricados como movimentos orgânicos gerados por utilizadores reais. Torna-se cada vez mais difícil identificar aquilo que é real ou ficção no espaço informativo, “levantando inúmeras questões sobre a construção das realidades individuais e colectiva, e as importantes repercussões na coesão sócio-cultural das sociedades modernas” [17].

Numa notícia de 2018 [18], o Facebook declarou ter desactivado, em apenas 6 meses, cerca de 1,3 mil milhões de contas falsas que partilhavam conteúdos gráficos e/ou violentos e discursos de ódio. Apesar do número significativo, a empresa apontou a necessidade de desenvolver o seu algoritmo para aumentar a capacidade de detecção destes conteúdos. Deste modo, é possível deduzir a enorme quantidade de bots e conteúdos extremistas em constante circulação no espaço informativo.

Aliada à estrutura mundial da internet, esta saturação significa a transformação de problemas locais em fenómenos globais – actos isolados são agora mediatizados e concebidos como prática comum. O extremismo já não se esconde em caves sombrias ou em fóruns privados, mas está agora presente em interfaces glossy desenhadas para lutar pela nossa atenção. Na verdade, como poderá algo ser identificado como extremo, se aparece ao lado de um vídeo de gatinhos? O discurso extremista torna-se normalizado, deixando de ser visto como algo puramente marginal, uma vez que actos e representações de ódio circulam livremente por plataformas. No Youtube, é possível encontrar vídeos de neo-nazis a atacar activistas ao som de música punk e, nas caixas de comentários, ler odes à bravura destes neo-nazis [19]. Criam-se novas figuras de culto, heróis capazes de catalisar violência, e legitimam-se ideologias que pensávamos erradicadas [20].

Embora a normalização do discurso extremista não signifique a veiculação efectiva da sua retórica nos canais oficiais, promove a dilatação do espaço discursivo mainstream. Isto é, temáticas que antes eram discutidas segundo perspectivas cuidadosas e moderadas, por se situarem em campos moralmente controversos, e.g. pena de morte ou prisão perpétua, podem agora ser usadas pelo populismo de forma livre e sem reflexão quando postas em comparação com discurso de ódio.

A “coragem” de abordar temáticas controversas – aos olhos do rebrand populista, politicamente incorrectas –, coloca o populismo em lugar de destaque para capturar e reverberar os discursos populares que não tinham lugar na política tradicional. Saul Newman [21] refere que o crescimento do populismo italiano se devia à compreensão da necessidade de conjugar o mundo computacional com o populismo analógico, de traduzir os metadados em outputs físicos, isto é, a necessidade de uma figura física, um líder, capaz de personificar o discurso identificado pelo algoritmo. Sendo o discurso populista a reverberação do “[…] que falamos no café” [22], ou melhor, daquilo que partilhamos na redes sociais, a sua chegada tardia a Portugal só se deveu à incapacidade de um partido se afirmar como a voz do algoritmo.

No contexto da propaganda e discurso político online, falta ainda olhar para um elemento fundamental, o meme. À semelhança de todos os textos que o exploram, poderemos introduzir o meme como um conceito criado por Richard Dawkins [23]. Na obra The Selfish Gene, Dawkins caracteriza-o como unidade mínima cultural, disseminada pela cópia e imitação, transmitida pessoa a pessoa, que se torna progressivamente num fenómeno cultural, e.g. uma dança, peça de roupa ou tradição.

No contexto online, o memes apresentam-se como combinações de imagens, vídeos e textos, que sendo igualmente copiados, editados e partilhados se espalham pelas plataformas digitais. É exatamente esta transposição do conceito de meme para o contexto online que exponencia a sua eficácia. Limor Shifman [24] refere que a transmissão de online de memes possibilita: (i) “maior fidelidade de cópia”– uma vez que o digital permite a “transferência de informação sem perdas”; (ii) maior “fecundidade” – aumenta o número de cópias ao mesmo tempo que a internet facilita a rápida difusão pela sua estrutura de redes; (iii) maior “longevidade” — a informação pode ser guardada “indefinidamente em numerosos arquivos”.

Apresentam-se assim como microestruturas de fácil produção, mas capazes de se afirmarem fenómenos culturais e de ultrapassar echo-chaimbers, instrumentos fundamentais para a veiculação de discurso político, e por isso mesmo imagens perfeitas para a nova propaganda digital. Mas como poderão imagens cómicas de gatinhos e print screens de filmes nascidos em fóruns e comunidades online, ter sido convertidas em propaganda? Ou ainda, como poderão estas imagens engraçadas ter capacidade de influenciar o imaginário sócio-político?

A questão que dava título ao ensaio dos Metahaven, “Can Jokes Bring Down Governments?” [25], abria espaço para pensar o conteúdo cómico (no qual os memes se afirmavam como uma parte fundamental) e a sua influência online como uma nova forma de contestação e participação política. À luz dos movimentos contestatários, críticos ao sistema bancário e político, criados no momento da crise da Zona Euro, o texto contava com um certo tom optimista e concebia a utilização do espaço digital e dos memes como nova forma de activismo e um novo território para a emancipação popular. Os fóruns online facilitavam a organização de manifestações, os memes criavam, sintetizavam e partilhavam as reivindicações dos movimentos, o activismo atingia a uma velocidade e eficácia nunca antes vista.

Todavia, o mundo sofreu alterações notórias. As piadas, as stockphotos e as máscaras de Anonymous deram lugar a imagens de ódio e conteúdo político extremista, presidentes e estrelas de reality-shows foram eleitos e os próprios Metahaven admitiram que a resposta à sua questão de era negativa.

No texto Socialist Imaginaries and Queer Futures: Memes as Sites of Collective Imagining [26], Thomas Hobson e Kaajal Modi referiam a importância dos memes no aumento da popularidade de Jeremy Corbyn e no resultado positivo do Partido Trabalhista na eleições de 2017. Os memes de Corbyn transformaram um “socialista desajeitadamente sincero” num “poster-boy para a revolução” capaz de “motivar um grupo de jovens votantes apáticos” a participar activamente na política do Reino Unido.

No entanto, o caso do político inglês – que poderia reavivar uma certo optimismo em quem ainda tinha esperança na proposta de 2016 dos Metahaven – é uma excepção. A utilização da propaganda tem sido manifestamente mais frutífera no discurso populista de direita. Se “Jeremy Corbyn tinha chegado e era tanto uma estrela de rock como o teu pai num cardigan feito à mão” [28], em Portugal a nova direita chegava e era um cavaleiro templário, um gestor, um polícia, um camionista, tudo menos um político. E se não foi capaz de cativar os jovens apáticos, os inúmeros testemunhos que surgem nas caixas de comentários mostram que foi capaz de apelar a votos numa secção da população igualmente desinteressada e desiludida pela política.

Analizar as manifestações meméticas em circulação online é fundamental para a compreensão da propaganda, dos discursos e dos imaginários que se desenvolveram nos últimos anos e que significaram a entrada da extrema direita nos parlamentos de diversos países, e do Chega! em Portugal. É a partir deste pressuposto que a secção seguinte se propõe a construir uma narrativa capaz de definir e compreender o imaginário comum fabricado pelo populismo de extrema direita, tendo como ponto de partida os memes publicados e partilhados entre grupos e páginas de redes sociais durante os seis meses que antecederam as eleições legislativas portuguesas de 2019.

  • [1] “Los socialistas lusos vencen sin mayoría absoluta y la ultraderecha irrumpe en el Parlamento de Portugal” – Notícia publicada no Jornal El País, 7 de Outubro de 2019
  • [2] “Já só há três países sem extrema-direita na UE. Ontem, Portugal deixou de ser um deles” – Notícia publicada no Jornal Público, 7 de Outubro de 2019
  • [3] O deputado era comentador residente no programa desportivo Pé em Riste, transmitido pelo canal CMTV.
  • [4][7] “Europe’s Crisis of Values Project Syndicate” – George Soros, Project Syndicate, 31 de December de 2012
  • [5] “A Política em Tempos de Indignação” – Daniel Innerarity, 2017
  • [6] “The Rise Of Populism In Europe” – Vivien A. Schmidt, Apresentação em conferência do WGBH Forum, 30 de Setembro e 2019
  • [8] “Do Europeans Really Fear Migrants? ” – Peter Sutherland, Project Syndicate, 21 de Maio de 2014
  • [9][10] “News Use Across Social Media Platforms 2018 ” – Sondagem conduzida por PEW Research Center, 30 de Julho - 12 de Agosto de 2018
  • [11] “Google Violates its Don't Be Evil Motto” – Esther Dyson durante o Debate Intelligence 2, 2008
  • [12][13] “The Filter Bubble: What the Internet is Hiding From You” – Eli Pariser, 2011
  • [14] O primeiro ministro português António Costa de férias durante os incêndio de Pedrogão Grande. Imagem falsa em circualção no Facebook
  • [15][16] “Exploring Echo-Systems: How Algorithms Shape Immersive Media Environments” – James N. Cohen, 2018
  • [17] ““The Audience is the Amplifier: Participatory Propaganda” – Alicia Wanless e Michael Berk, 2019
  • [18] Os posts bloqueados distribuem-se pelas categorias de terrorismo(1,9 mil milhões), violência(3,4 mil milhões), nudezes e actos sexuais(20,1 mil milhões) e discurso de ódio(2,5 mil milhões). Apesar dos 2,5 mil milhões de posts relacionados a discurso de ódio, o Facebook afirmava que esta era a categoria com menor percentagem de posts encontrados pelo seu algoritmo, devido à sua complexidade e competente subjectiva. “Facebook has disabled almost 1.3 billion fake accounts over the past six months” – Notícia publicada pelo Jornal VOX, 15 de Maio de 2018
  • [19] “How a Spanish neo-Nazi became an international ‘hero’ of the far right” – Notícia publicada pelo jornal El País, 26 de Março de 2019
  • [20] “Josue Libertad! Video completo metro Madrid Carlos Palomino” – Video disponível no Youtube
  • [21] “Quem são os apoiantes de Ventura” – Notícia publicada pelo semanário Expresso, 3 de Março de 2020
  • [22] “The birth of digital populism: crowd, power and postdemocracy in the twenty-f irst century.” – Obsolete Capitalism, 2014
  • [23] “The Selfish Gene ” – Richard Dawkins, 1989
  • [24] “Memes in Digital Culture” – Limor Shifman, 2014
  • [25] “Can jokes bring down governments?: Memes, design and politics.” – Metahaven, 2013
  • [26][28] “Socialist Imaginaries and Queer Futures: Memes as Sites of Collective Imagining ” – Tomas Hobson & Kaajal Modi, 2019
  • [27] Imagens recolhidas de “Was it the Corbyn memes wot won it? Here are some of the best” – Artigo publicado no Jornal The Guardian, 9 de Junho de 2017
  • Disinformation Machine Diagrams

    2020
    disisformation
    fake news

    Paulo Pena defines disinformation as a process of intentional manipulation of public opinion by the exercise of media and information control. But what are the power structures behind this process? Who’s in charge? Who are the agents? What are the tactics?

    The image of the factory frequently appears in recent research and journalistic work that navigates the disinformation world; the Russian troll factories are one of the most notorious examples. But this is not a mere analogy. The recent success of disinformation campaigns – e.g. the election of the former US president – clearly shows how profitable and effective is the production of fake news and disinformation as a real industry.

    Drawing on this idea of industrial production, Disinformation Machine aims to show the flows and connections of the disinformation industry, as a blueprint, a map or a diagram.

  • Cieśla, Pruszkiewicz, Pena (2019). Inside a troll factory.
  • Pires, M. (2018) A incrível e triste história de Catarina Martins e do seu Patek Philippe desalmado, Gremlin Literário.
  • Pena, P. (2019). Desinformação: Dos Autores ao Negócio que a Alimenta – e o Desafio para o Jornalismo.
  • Pena, P. (2019). Fábrica de Mentiras: Viagem ao mundo das fake news. Objectiva.
  • Pena, P. (2019). Nove passos para distinguir informação de fake news.
  • Cardoso, Narciso, Moreno, Palma (2019). Social Media disinformation in the pre-electoral period in Portugal.
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